Cuidado com os argumentos utilizados no momento de pedir e negociar aumento de salário.
Sabe aquela hora em que você cria coragem de pedir o aumento, mas antes dá uma passadinha no banheiro e olha para o espelho, arruma a gola da camisa, ajeita o cabelo e ensaia a cara que pretende usar diante do chefe? Pois é... Tudo isso pode ser feito em vão se a argumentação não for boa.Para que sua investida não dê com os burros nágua, eis aqui algumas dicas sobre o que fazer e o que não fazer nesse momento tão delicado envolvendo você e o seu emprego
Em primeiro lugar tenha sempre em mente que sua argumentação pode provocar um olhar de indiferença e uma resposta bem simples e objetiva do patrão: “E eu com isso?”. Na verdade ele não vai te dizer isso, mas na maioria dos casos quando alguém pede aumento salarial, a justificativa é tão ruim e tão tendenciosa que a vontade de dizer “e eu com isso” é enorme! Por fim, a resposta será educadamente uma desculpa esfarrapada para dizer “não”.
Assim evite todo tipo de abordagem onde o patrão sinta vontade de dizer: “E eu com isso”. Por exemplo:
Você – “Sabe Sr. Lauro, estamos iniciando a construção de nossa casa e os materiais estão muito caros... inclusive a mão de obra tem que pagar toda semana em dinheiro... será que não poderíamos melhorar um pouquinho meu salário para ajudar nessa obra?”
Pensamento do patrão- “Tá construindo é? E eu com isso?”
Ou então:
Você – “Aristides, o senhor não sabe a felicidade que é ter mais um filho! O mais velho é só alegria com o novo irmãozinho! Mas as despesas aumentaram muito lá em casa e eu queria ver se o senhor não poderia dar uma melhoradinha no meu salário...”
Pensamento do patrão – “Teve mais um filho é?” E eu com isso?”
E por fim:
Você – “Sabe Dona Beatriz, agora eu decidi fazer faculdade e não estou aguentando pagar as mensalidades. Será que a empresa não poderia aumentar uns duzentos reais em meu salário para me ajudar nos estudos?”
Pensamento da patroa – “Resolveu estudar e não planejou se aguentava pagar? E eu com isso?”
Os amigos leitores devem estar pensando “mas que sangue frio tem esse Adriano, nem pensa socialmente nos colaboradores...”. Mas não é bem assim. Vejam bem os amigos: um assalariado que fatura mil reais por mês e pede duzentos para fazer faculdade ganhou um aumento fora de época de 20%, além de gerar um precedente aos demais colaboradores. Imagine se a empresa inteira resolvesse estudar, construir ou ter filhos!! Como dar aumento para um e não dar aos outros?!
Toda empresa séria deve ter uma política salarial que explique o quanto cada função é remunerada e por quê. A remuneração é baseada na complexidade do cargo, e não no custo de vida do funcionário, salvo em raras situações de praças específicas onde a conjuntura concorrencial e a captação de mão de obra qualificada é um problema mais difícil de resolver. Nesse caso a demanda por mão de obra é maior que a oferta, e os papéis podem se inverter na negociação salarial.
Mas na maioria das vezes o aumento salarial não se dá com argumentações de cunho pessoal, e nem por tempo de serviço, e sim pela especificidade da função e produtividade. Ora, tem até gente que pede aumento alegando apenas que já trabalha lá a 5 anos e que merece um reconhecimento. Seu reconhecimento é não ter levado as contas e ter recebido o anuênio garantido pela CLT, pois com 5 anos de serviço já deveria ter conquistado alguma promoção!
Entendam isso, meus amigos, que aumento salarial vai de encontro com o seu custo x benefício. Se o que você faz por mil reais puder ser feito facilmente por alguma outra pessoa desempregada, você dificilmente receberá aumento e provavelmente receberá as contas em breve, pois o seu pedido será visto como um sinal de insatisfação com a política salarial da empresa.
Mas se por outro lado o seu pedido de aumento for justificado pela sua produtividade, precisão, comprometimento e pró atividade, projetos propostos e ainda com planos de aperfeiçoar-se em uma área específica para produzir ainda mais na empresa, aí sim o patrão o verá como um investimento, uma forma de reter na empresa uma joia rara antes que o perca para um concorrente.
O raciocínio é lógico, e não emocional
Diante do que a empresa esperava de você no momento da contratação, faça uma avaliação e responda você mesmo: eles se surpreenderam e se beneficiaram com mais do que esperavam? No mercado de trabalho há poucos que fariam o que você atualmente faz pela empresa? Se a resposta for SIM para as duas perguntas e a justificativa for mensurável, então peça aumento e use a justificativa no argumento.
Mas se a resposta for NÃO e você já estiver a pelo menos um ano nessa empresa, repense sua carreira... Você pode estar acomodado ou a empresa pode estar empatando suas chances de crescimento profissional.
Funciona igual a clube de futebol e jogador, igualzinho: quanto melhor você se mostra, mais valoriza seu passe e seu salário.
Assim, concluindo o assunto, tanto você quanto a empresa têm o mesmo objetivo, que é ganhar
Por isso se quiser ser valorizado faça sempre o seu melhor, pois o elementar custa barato e tem em abundância.
Adriano Berger Ferreira, 38 anos, é administrador de empresas pela Univ. Est. de Maringá com especialização em marketing pelo CESUMAR. Atualmente é consultor na área de gestão comercial e desenvolvedor de lideranças em rede supermercadista. Escreve no blog http://nanoberger.blogspot.com
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